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Resenha: Uma Vida Interrompida



Esse foi o primeiro livro que li com uma abordagem e um tema não tão infanto juvenil, li quando tinha 14 anos, tive um pouco de medo e no final lágrimas caíram dos meus olhos. Na época tinha começado a minha paixão por livros, me aventurando em Harry Potter e O diario da Princesa, então imaginem minha reação ao começar Uma Vida Interrompida, onde nas primeiras páginas a protagonista conta como foi assassinada? #WTF? É preciso muita ousadia para escrever um livro assim. A narradora desta história tem apenas 14 anos e sonhava ser fotógrafa enquanto ainda tinha toda a vida pela frente. O livro é, em si, uma contradição: cheio de humor e esperança, apesar de ter como pontapé inicial o estupro e assassinato de uma adolescente.




Sinopse: A história de Susie Salmon, quando começa a se desvelar na sua frente, faz os compromissos, assim como os amigos, a família, a fome, o sono e até o celular tocando, parecerem bem pouco interessantes e menos urgentes. Os ossos do título em inglês não são os restos de Susie, a menininha que conta a história depois de morta. São a estrutura sobre a qual a vida é construída. Outra audácia é a de colocar Susie Salmon no céu. Sim, é para cima que vai nossa protagonista. E é para baixo que ela olha, com olhos atentos, enquanto conta a história de sua família , agora traumatizada, de como seu assassino planeja os detalhes minuciosamente para não ser descoberto, de como a polícia não tem nenhuma pista sobre como chegar a ele. A partir daí ela conta que, por estar inconformada com sua morte precoce, e um tanto entediada com a vida no Céu, decidiu acompanhar como sua família, amigos e o próprio assassino continuaram suas vidas após a tragédia.


Durante a narrativa, interessante é ver como cada um lida com a morte. O pai, com total revolta e inconformismo, é tomado pela tristeza e pela necessidade de justiça, nem que seja pelas próprias mãos. A mãe encontra na negação a resposta para continuar vivendo. A irmã faz-se dura, insensível, impenetrável. E o pequeno irmãozinho não entende ainda o que aconteceu. A autora enfoca também a vida do assassino, de identidade conhecida pelo leitor desde o primeiro capítulo, descrevendo em detalhes os seus procedimentos, a sua infância, e a sua vida após o crime. O livro é forte e intenso! Conheço pessoas que leram e não conseguiram terminar. Vou a ressaltar que Alice Sebold foi de uma audácia e ousadia inigualáveis. Colocar um personagem no céu foi uma façanha e o livro tinha tudo para dar errado, já que a própria 'morta' é a narradora. Mas a cada página e a cada palavra nota-se a sensibilidade da autora. 


Ano passado foi lançado o filme intitulado Um olhar no Paraiso e nunca vi um filme se aproximar tanto a um livro, Peter Jackson (o senhor dos anéis) arrasou mais uma vez. Chorei horrores, muito mais que lendo o livro, talvez porque vendo os personagens pode sentir mais, parecia ser mais real, já que o livro é baseado numa história real, a autora foi estuprada no campus da faculdade, depois de anos resolveu escrever sobre o assunto porém ao começar Uma Vida Interrompida, sentiu que não seria o suficiente e tão pouco verdadeira parou o livro ainda na metade e eis que surgue quase uma auto biografia Sorte.



Nesse dia dos Pais não poderia esquecer desse livro, Me encantei com a demonstração extrema de amor do Sr. Jack, o pai que em nenhum momento desistiu, mesmo quando tudo estava perdido. Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado não pode ser descrito, deve ser sentido. A cada nova frase da autora sobre o amor e sobre a dor,  é como se este livro estivesse guardado dentro de cada pessoa que se sensibiliza com a perda alheia. É como se Susie nossa filha, nossa irmã. É como se com o assassinato de mais um anjo, o nosso mundo desabasse um pouquinho mais. Fica aqui a dica!


e Um Feliz dia dos Pais


Xintia milanêz 

2 comentários

  1. Eu tenho muita vontade de ler esse livro depois que vi o filme que é emocionante!

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